CEBRASPE e o adjetivo prescindível


Fala, meus consagrados! Tudo beleza com vocês?

Na banca CEBRASPE, “prescindível” é um daqueles adjetivos “gatilho” que frequentemente tornam o item ERRADO, porque ele é absoluto (generaliza sem margem).

Sentido técnico do termo

  • Prescindível = dispensável, não essencial, pode ser deixado de lado sem prejuízo relevante; e
  • Antônimo: imprescindível = indispensável, essencial.

Em questões de certo ou errado, quando o enunciado diz que algo é prescindível, ele está afirmando que não faz falta (ou que não é requisito).

Por que “prescindível” costuma derrubar item

A banca explora o fato de que, em muitas matérias, determinados elementos:

  • Não são sempre obrigatórios, mas também não são dispensáveis em qualquer cenário;
  • Dependem de contexto, objetivo, norma aplicável, maturidade do órgão, risco, escopo etc.

Ou seja, “prescindível” costuma falhar por excesso de generalidade: o termo é “forte” demais para temas que são condicionais.

Heurística prática de prova

Quando você ler “X é prescindível…”, faça a checagem mental:

Existe algum caso clássico em que X é exigido?

Se sim, o item tende a ser ERRADO (porque “prescindível” implica dispensável inclusive nesses casos).

Exemplos típicos (sem entrar no mérito do conteúdo específico):

  • Documentação é prescindível;
  • Controles internos são prescindíveis;
  • Testes são prescindíveis;
  • Gestão de riscos é prescindível;
  • Segurança é prescindível.

Em governança/contratação/segurança/qualidade, quase sempre há normas, boas práticas ou necessidade técnica que tornam o termo indefensável.

O enunciado fala de boa prática ou de obrigação normativa?

  • Se estiver no campo de obrigação (lei, decreto, IN, norma técnica), “prescindível” raramente se sustenta; e
  • Se estiver no campo de boa prática, a banca ainda pode tentar te confundir: boa prática pode ser “recomendada”, mas não “dispensável” sem custo.

Há palavras de escape (“em geral”, “pode”, “em alguns casos”)?

Se não houver qualificadores, “prescindível” fica mais perigoso e a chance de ERRADO sobe.

Padrões linguísticos que a CEBRASPE explora

  • “É prescindível” (afirmação categórica):
    • Geralmente derruba;
  • “Pode ser prescindível” / “pode ser dispensado em alguns casos”:
    • Já abre margem e pode virar CERTO, se o conteúdo permitir;
  • “É prescindível para garantir…”:
    • Costuma ser armadilha: se algo é “para garantir”, a banca sugere essencialidade;
    • Dizer que é prescindível contradiz a finalidade.

Como a banca te pega na prática

A CEBRASPE gosta de transformar o que é:

  • Desejável / recomendável em dispensável (troca sutil);
  • Condicional em absoluto (generaliza);
  • Etapa que pode variar em etapa que não faz falta.

“Prescindível” não significa “flexível” nem “adaptável”; significa dispensável.

Regra de ouro para marcar na hora

Se não se consegue defender a frase “dá para dispensar isso sem prejuízo” com base direta em norma/teoria, marque ERRADO.

É isso aí, galera.
[]’s e até a próxima.
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Professor Rogerão Araújo
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